Agora são uma e meia da madrugada, sempre tive insônia e geralmente acordo às quatro e tenho dificuldade pra voltar a dormir, mas depois que entramos em quarentena comecei a ter insônia nas primeiras horas da noite também.
Oficialmente fui dispensada do serviço dia 19 de março, quinta feira passada, mas já não tinha ido trabalhar na quarta, pois tinha levado minha filha de 9 meses ao pediatra por estar muito resfriada. Sou servidora municipal, e quando retornei na quinta, o prefeito tinha liberado um novo decreto que liberava entre outros servidores, as lactantes também e por isso pude me afastar.
Já estava batendo o desespero, já que já estava tendo as recomendações de se evitar as aglomerações, e o balcão da Prefeitura vivia lotado, pois no final do mês vencia a primeira data do carnê aqui na minha cidade, então ser dispensada foi um alívio e o primeiro lugar que eu fui foi ao mercado fazer uma compra e ir direto pra casa.
Hoje minha filha está bem melhor, com um pouco de coriza, mas o meu marido me preocupa, ele faz parte do grupo de risco por ser cardíaco e está espirrando de vez em quando. Todo vez que isso acontece tenho um mini ataque cardíaco e já imagino o pior dos cenários, eu viúva, com dois filhos pra criar.
Melhor não pensar nisso.
Também estou preocupada com os meus pais, pois minha mãe trabalha no RH de um grande hospital e como só faz 60 anos em setembro, não foi dispensada.
Sempre fui meio neurótica, e nessa primeira semana que passou estou muito preocupada, sinto que minha sanidade está por um fio, mas quem não está preocupado com tudo isso que está acontecendo?
Entendo perfeitamente essa sensação de agonia constante. Por mais que as pessoas digam que devemos manter o otimismo, e acredite, eu tento, acabo também imaginando coisas ruins e isso me tira o sono. Embora eu tenha sido dispensado do trabalho, tenho sorte de não ter sido demitido, como muitos, mas fico inseguro quanto a isso, pois se essa pandemia continuar por muito tempo as coisas podem piorar. Então, todas as noites perco meu sono, preocupado não apenas com meu emprego, mas com minha saúde, da minha mãe e da minha tia. Fora o fato de que, sou uma pessoa muito carente e solitária por natureza e esse isolamento social apenas piora tudo.
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